domingo, 8 de abril de 2018

Samba de uma nota só: desafino eleitoral.

Vladimir Almeida
Precisamos de um pouco mais de lógica, senão nas coisas do amor, mas pelo menos na da paixão política. O mundo pode (e deve) ser colorido, mas as tintas necessitam estar em harmonia, caso contrário o borrão agride e impossibilita a compreensão da obra. Da música pode se dizer o mesmo, independente de gosto musical, a obra tem que ser boa mesmo se o estilo não for o nosso.
 E o que vemos hoje na cena política, mais para teatro que para ciência? Pode parecer casuísmo, coisa “sem querer”; mas não é! A música vem sendo tocada, fora do estilo do acesso à democracia, mas nas cores dos interesses dos artista, tão somente nestes tons – de cores e sons.
 De um lado temos campanhas eleitorais mais curtas, reduzidas sob a desculpa de diminuir custos; some-se a isso os Deputados e Senadores (os mesmos que pintam os quadros e entoam as músicas) já conhecidos, por terem gabinetes e cobertura da imprensa ao longo do mandato. Tudo dentro de partidos políticos antidemocráticos (a democracia intrapartidária precisa de muita explicação, fica para outro texto), que canalizam recursos e tempo de TV e rádio aos seus caciques (donos de galeria de arte e das gravadoras).
 Já no lado B do disco, vemos minguar os recursos para as campanhas eleitorais, depois da proibição pelo STF das doações de pessoas jurídicas, bem como a diminuição das mulheres na política (o que o TSE, por meio de Consulta – que não vincula –, espera que mude), que no mais das vezes os partidos colocam apenas para figurar na lista, por obrigação legal, sem dar meios para que se elejam.
 Em verdade, temos que novos candidatos e candidatas tem pouquíssimas chances de se fazerem conhecidos, sem tempo de campanha, sem recursos e com pouco – ou nenhum – espaço intrapartidário. E no que isso resulta?
 A tendência lógica e de repetição de padrões estéticos, quem dita a moda e a música do que você escuta indica que haverá alta taxa de reeleição, isso de um dos Congressos mais mal avaliados que já houve. Onde a música toca corretamente, para o baile deles.
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*Vladimir Belmino de Almeida, membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, membro da Academia de Letras Jurídicas do Amapá e membro da Academia Amapaense Maçônica de Letras.

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