domingo, 11 de março de 2018

As mulheres e o mercado de trabalho

Olimpio Guarany
Ao longo dos últimos anos, a cada vez que se celebra o dia internacional da mulher suscita-se o debate sobre a busca pela igualdade de genêros. Ocorre que os números levantados pelo IBGE revelam que quando se trata de mercado de trabalho, no Brasil, as mulheres ainda estão distantes dos homens, muito atrás.
Vou me socorrer da recente pesquisa que tive acesso, no último dia 6. Os dados apontam que elas ganham menos do que os homens em todos os segmentos de atuação. A diferença chega a 53%.
A mesma pesquisa revela o avanço das mulheres em cargos de direção, entretanto, mesmo mostrando proficiência, dedicação e bons resultados, ainda a assim as mulheres tem uma remuneração menor do que os homens que ocupam cargos do mesmo nível.
Pincei um dado estarrecedor da pesquisa: Mesmo as mulheres tendo curso superior, especialização e até MBA, uma boa parte delas ganha só a metade de seu colega para desenvolver a mesma função. O interessante é que quando a escolaridade vai dimuindo, a diferença entre mulheres e homens também diminui.
Eu consegui apurar que as mulheres interrompem a carreira seis vezes mais com a chegada dos filhos.
Coloquei a lupa na pesquisa e vi que quando as mulheres atingem os cargos de Presidente e Diretor, seus salários são menores cerca de 32%.
Confesso que não sabia a qual especialista recorrer para comentar essa situação. Daí fui pesquisar e conclui que pelo fato da mulher ter entrado no mercado de trabalho mais tarde, pode contribuir para processo de carreira mais lento.
Lamentavelmente concluimos que: se todos os cenários descritos acima revelam a desvantagem da mulher quando se trata de remuneração, fica pior ainda quando a pesquisa refina para negras e pardas. Os dados do IBGE mostram que em termos de formação superior, o que conta muito na hora de contratar, as brancas tem uma taxa de escolaridade de 23,5% enquanto entre as negras só 10,4% terminaram o terceiro grau.
Por todas as análises feitas por pesquisadores e sociólogos, com base na evolução das conquistas femininas no mercado de trabalho, concluiu-se que ainda há um longo caminho a percorrer, alguns afirmam que vamos levar cerca de 100 anos para alcançarmos a plena igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário

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