quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Consciência negra

Olimpio Guarany

Para refletirmos sobre o tema não será preciso execrar aqueles que até foram chamados de heróis,  entre eles Domingos Jorge Velho, por terem capturado e degolado Zumbi, o líder do mocambo dos Palmares, no célebre ataque final a "Cerca do Macaco, onde estava homiziado Zumbi, naquele memorável 20 de novembro de 1695.
Devemos sim, lembrar dos homens e mulheres negras que se rebelaram a um sistema de opressão. Muitos arriscaram e até perderam as suas vidas  por não aceitarem a prisão física e de pensamento. Diante da humilhação imposta pelos colonizadores, reagiram às tentativas de aniquilamento de seus valores africanos. Mais do que isso, essas pessoas deram importante contribuição com seus conhecimentos e ajudaram a construir a nação brasileira.

A luta continua
O 20 de novembro ainda não é  feriado nacional. Por enquanto, menos de dez estados brasileiros decretaram feriado, entre eles o Amapá. Há situações em que algumas cidades, através de lei municipal, celebram a data com feriado. Nem em Brasilia, capital da república, é feriado.
alguns anos ouvi a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) dizer que, "num país habituado a cultuar personagens históricos de cor branca, nada mais justo do que ampliarmos tal reconhecimento, mediante a determinação de feriado de âmbito nacional. Ela se referia ao dia da morte de Zumbi dos Palmeiras, um herói nacional negro, mas até agora a proposta não vingou. No mês passado foi aprovada na Comissão de Cultura da Câmara, mas rejeitada na Comissão de Desenvolvimento Econômico.

O que penso
Mais do que ter o feriado nacional é fundamental que os negros tenham consciência de sua origem africana e se unam na luta pela liberdade de informação, manifestação religiosa e cultural.  Por outro lado, a sociedade brasileira como um todo deve garantir maior participação e cidadania aos afrodescendentes, mas como sempre aparecem os oportunistas, é bom ficar atento aos movimentos daqueles grupos ideológicos que querem manipular homens e mulheres negras, em nome de uma luta, para atenderem aos seus caprichos políticos. Por fim, penso que é indispensável que a sociedade esteja pronta para não permitir o racismo, a discriminação e ao preconceito
racial.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário

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