segunda-feira, 6 de março de 2017

Dia da Mulher, comemoração ou reflexão?

Olimpio Guarany

Antes da discussão vamos buscar na história e saber por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Num dia como esse em 1911 as funcionárias de uma fábrica da Triangle Shirtwaist Company, em Nova York, nos Estados Unidos, entraram em greve. Queriam reduzir a carga horária de 16 para 10 horas por dia; salários iguais aos dos homens e melhores condições de trabalho. No dia 25 de março houve um incêndio na fábrica e 146 operários morreram dos quais 125 mulheres. De lá pra cá as lutas feministas por igualdade de gênero só cresceram, entretanto foi em 1977 que a ONU instituiu o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, uma forma de homenagear as lutas dos movimentos feministas por igualdade, justiça e respeito.

Mas, comemorar?
Há segmentos feministas que dizem, sim, que há muito a comemorar, que grandes avanços foram conquistados. Entretanto há outros que afirmam que não é data para festas, mas sim para debates, para reflexão, porque ainda falta muito para a mulher se ombrear ao homem, principalmente em países subdesenvolvidos como o Brasil.
Engrosso o caldo desse segundo time. O argumento se reforça quando a Organização das Nações Unidas (ONU) revela que, no mundo em geral, as mulheres ganham cerca de 27% menos do que os homens para desenvolver a mesma função.
Todos os outros números divulgados no Brasil mostram que, apesar dos avanços, a mulher ainda é oprimida, portanto não recebe um tratamento igual.
Dados recentes da ONU mostram que 7 em cada 10 mulheres são agredidas ao longo da vida. É que, na grande maioria das vezes, não se vê, mas essas agressões acontecem perto da gente e geralmente dentro de casa. Seja na sua rua, na casa da vizinha até na própria familia.
Quantas histórias você já ouviu de que chefes atacam subalternas e as celebridades quando fazem das suas? A violência contra a mulher não escolhe classe social.
No Brasil houve avanços no que respeita a legislação. Uma das últimas, a Lei Maria da Penha tornou possível que agressores de mulheres no ambiente doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada. O tempo máximo de detenção passou de um para três anos. A lei prevê a saída do agressor de casa e a proibição de sua aproximação da mulher agredida e dos filhos. É tudo? Não.
Outros dados reforçam a tese do avanço, mas não da igualdade entre homens e mulheres. Sobre o mercado de trabalho, por exemplo, atualmente 24,9% dos domicílios brasileiros são sustentados por mulheres.
As disparidades diminuíram, por exemplo, quando se trata de educação e saúde, mas sobre a oportunidade profissional, econômica e participação política ainda estamos longe. Senão vejamos: metade da população é do sexo feminino, mas só 12% ocupam assento no Poder Legislativo.
Por isso, entendo que não é data para festinhas e outros que tais. É data para ser relembrada de como tudo começou e se situar na história das lutas, ampliar os debates e manter acesa a chama das conquistas.
Portanto é bom cair na real e entender que ainda não chegamos nem perto do que aquelas mulheres de 1911 sonhavam: uma sociedade justa e igualitária.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista e professor universitário

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