segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A primavera brasileiraa


Olimpio Guarany

Num país situado entre os trópicos, abaixo da linha do equador, setembro é o mês que dá inicio a primavera, uma das estações do ano que mais gosto. Embora morando num lugar situado sobre a linha imaginaria do equador, nesta faixa da Amazônia, onde se verifica duas estações - a das chuvas e da estiagem - lembro-me do tempo em que morei em São Paulo ainda com os meus 20 e poucos anos. Não é saudosismo, mas lembro com saudade daqueles tempos. Impressionava-me o desabrochar das flores, a alegria das pessoas, o humor de forma geral melhorava muito da passagem do inverno para a primavera.
Eis que estamos em 2016 e o Brasil, em menos de 25 anos, tem o segundo mandatário máximo, neste caso uma presidente, afastada por improbidade administrativa.
A queda de Dilma Roussef, num processo de impeachment legal e democrático previsto na mais democrática das constituições brasileiras, é emblemática.  Passamos o verão, o outono, o inverno - caminhando para a escuridão, período em que o país assistia estarrecido o desvendar do mais audacioso esquema de corrupção de sua história. Para o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, protagonizado pelo PT, que classificou de Organização Criminosa.
Desde 2003 quando chegou ao poder, o PT foi instalando seus membros dentro da estrutura do Estado num processo de aparelhamento que não requeria qualificação. Bastava que seguisse o que era definido pelo comando do partido. Está claro, depois da descoberta de todo esse esquema, que o PT pretendia se eternizar no poder. O  dreno de recursos públicos para o partido, o conluio com grandes empresas construtoras para financiar campanhas de políticos, inclusive dos partidos aliados, era o principal pilar de sustentação da Organização. Para que a estratégia desse certo foi preciso implantar uma política populista, mesmo que o país ficasse fragilizado em meio a eventuais crises.  O modelo de distribuição de renda de forma direta prosseguiu mesmo depois do impacto da primeira crise econômica mundial de 2008. Para manter a popularidade, o presidente de plantão  adotou uma política de renúncia fiscal para beneficiar, principalmente, a indústria automobilista e sua cadeia produtiva, a que mais gera empregos. Eram necessários ajustes como fizeram os países europeus e os Estados Unidos, mas isso foi desprezado por aqui. Enquanto os países desenvolvidos apertavam o cinto, o Brasil afrouxava. Resultado: a curva começou a se inverter em 2013 quando aqueles que fizeram os ajustes iniciaram a retomada da economia, enquanto o Brasil entrava na descendência.
Nas eleições de 2014, maquiando a contabilidade, usando todo tipo de subterfúgio, Dilma e o PT tentavam mostrar que o país ia bem, mas já estávamos no caminho sem volta. Naquele período se descobria o Petrolão, o maior escândalo de corrupção da nossa história, e a todo custo foi mantida política populista. Atingido o objetivo com a vitória de Dilma, a casa começou a cair. O Brasil teve, ao mesmo tempo, expostas suas vísceras revelando uma economia em processo de encolhimento com inflação e desemprego crescentes.
Não havia como esconder um diagnóstico triste e sombrio.
Ao fecharmos 2015, a crise econômica se agravou, momento em que era aceito  pelo presidente da Câmara Federal o pedido de abertura de impeachment.
O processo seguiu até o desfecho do último dia 31 de agosto com o afastamento definitivo da presidente Dilma.
Ao se livrar da implantação do modelo bolivariano, sonho dos petistas, o país sai de um período tenebroso e novos horizontes se abrem para um novo tempo. É a primavera brasileira. 
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário

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