segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sucessão municipal

 Olimpio Guarany

Desde quando começou a se desenhar o quadro sucessório em Macapá, pouco ou quase nada mudou. O  cenário que se apresentou meses atrás vai se confirmando nesses dias finais do prazo das convenções.

O candidato nato
Pensando em sua reeleição, Clécio Luis ex-Psol, agora na REDE, buscou ampliar seu arco de aliança desde que assumiu a prefeitura. De lá pra cá ele juntou lideranças, conseguiu apoio incondicional da maioria dos vereadores, levou o PROS, partido do atual presidente da Câmara, Acácio Favacho e outros aliados. No decorrer desse tempo, ao inflar demais a sua base, teve que lidar com divergências internas o que resultou na perda de lideranças e partidos. Convém lembrar que por ocasião da sua eleição, Clécio vestia a camisa de um partido cheio de pruridos, chamado até de puro sangue, o PSOL, que não admitia se misturar com quem não estivesse  na mesma linha ideológica. Pois bem, ele deixou o PSOL entrou para a REDE que não faz tanta exigência, ou seja, é mais pragmático, para quem não importa os meios, mas os fins. Nem o PSB que apoiou o atual prefeito no segundo turno conseguiu conviver, embora seja da linha socialista. Outro partido de esquerda, o PT, caiu fora e ainda saiu chamuscado com a exoneração de um de seus nomes mais expressivos, Dalva Figueredo. Por lá, ainda se mantém o DEM que, mesmo à direita, embarcou na canoa no segundo turno das eleições de 2012, o que classifica Clécio como candidato centro-esquerda.
Vamos combinar! Esse esvaziamento da base cleciana se dá num momento crucial, às vésperas das convenções, sinalizando, fatalmente, a inversão da curva que se apresentava ascendente.

Esquerda rachada
Dois ex-aliados de Clécio, os socialistas PT e PSB vão com candidaturas próprias, o que representa um racha nas esquerdas. Esses partidos foram parceiros quando os Capiberibe - pai e filho - governaram o Estado, mas se separam depois e, ao que tudo indica, sem chance de reconciliação. O PT vai de Dora Nascimento e o PSB de Ruy Smith.

Apontando para o Centro
Como se classifica a candidatura de Gilvam Borges (PMDB)? Entendo que está mais com cara de Centrão, nem tanto à esquerda, nem tanto à direita pelo simples fato de ter reunido diversas correntes. Até o fechamento da coluna já estavam no barco do peemedebista  PDT, PPS, PROS e o PTN com possibilidade de agregar, ainda, o PSD e o PSDB.
A candidatura de Gilvam foi capaz de ser o ponto de convergência de uma base política que havia se dividido a partir de 2010.  Logo se recompôs aquele arco que reelegeu Waldez e Sarney em 2006.
Gilvam carrega consigo uma larga experiência parlamentar como senador de dois mandatos e deputado federal, conhecedor dos caminhos de Brasilia. Ao longo dos anos construiu uma rede relações, principalmente com o grupo que hoje comanda os destinos do Brasil. Além disso conta com a experiência de três ex-prefeitos bem avaliados: Papaléo Paes, João Henrique e Roberto Góes. Entra na curva ascendente.

Outras vertentes
Olhando um pouco mais para a direita, numa raia vê-se Aline Gurgel (PRB) apoiada por uma plêiade de siglas sob a égide da família Gurgel, somado ao PTB. Em outra, o Promotor Moisés (PEN), terceiro colocado na eleição para o Senado em 2014 com quase 50 mil votos. Ambos se apresentando como terceira via.
Mas porque terceira via? É que toma-se como as duas primeiras vias os que são apoiados pelo prefeito e pelo governador. Os outros até preferem se identificar como a terceira.

E, quem é o favorito?
Vamos esperar os registros das candidaturas, o inicio da campanha e , no comecinho de setembro dará para observar a curva e vislumbrar a tendência de quem tem chance de passar para o segundo turno. No mais, são conjecturas.
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário


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