quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Brasil, os interesses pessoais acima de tudo



Olimpio Guarany

No domingo passado revelei minha preocupação com os rumos da economia do nosso país, embora tenha abordado a questão parcialmente. Os próprios números do terceiro trimestre já indicam que estamos em queda livre.
Ontem, todas as previsões convergiam para o mesmo ponto: devemos fechar o ano com uma retração econômica de cerca de 4%. Pior é que para 2016 não há expectativa de melhoras, os mais otimistas dizem que manteremos o patamar de 2015, o pior ano dos últimos 25 anos. 
Ainda ontem me assustei com a frase  “a economia do Brasil está derretendo”, do ex-ministro Rubens Ricupero, numa entrevista a uma rádio de São Paulo. E foi além: “Se nada for feito, logo entraremos numa depressão”.
Pensando bem, o ministro não exagerou. A questão é que o Governo não Governa, o Congresso faz o que bem entende e ninguém respeita a Presidente. 
O que se vê em Brasilia é uma guerra em meio a uma crise sem precedentes na história contemporânea do país. Uma crise na qual  o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, se preocupa em tão somente se salvar, impedindo o prosseguimento do processo contra ele na Comissão de Ética. Por outro lado Dilma Roussef se desdobrava para conseguir o apoio do PT à Cunha em troca do arquivamento dos pedidos de impeachiment contra ela. Mas o caldo entornou, ontem, quando Eduardo Cunha admitiu o processo contra Dilma.
Estamos assistindo a um teatrinho de troca- troca, cada um querendo livrar a própria pele em detrimento do restante do país.
Na entrevista de ontem, Ricupero foi emblemático: “um governo sem credibilidade, sem forças, e sem propostas para tirar a economia da situação em que se encontra, não pode permanecer”.
É ministro, se vivêssemos num regime parlamentarista, certamente a esta altura o Gabinete já teria caído. A troca do primeiro-ministro, o chefe de governo, não seria um problema, mas uma solução. Ocorre que estamos no presidencialismo e a troca da chefia de Governo não ocorre assim, num estalar de dedos. A conclusão que chego é que o povo brasileiro está pagando pelo erro que cometeu na hora de votar. Não teve a visão suficiente pare entender que o modelo petista dos anos de glória de Lula já havia acabado por falta de capacidade de gestão da atual presidente, por sucessivos erros que ela cometeu nos primeiros quatro anos pós-Lula.
O pior de tudo é que, particularmente, concordando com o ministro Ricupero, não vejo saída para o Brasil com o Governo que aí está. Não existe milagre. Basta ver que a economia mundial vem se recuperando dentro de uma base sólida, conduzida por governos sérios, enquanto o Brasil vai na contra mão
Vivemos hoje num país sem horizontes e a  consequência disso tudo, pode esperar, será a queda no nível de emprego, aumento da inflação, queda na renda e uma grave crise social, talvez cheguemos ao caos social.
Recorrendo aos meus arquivos, pincei uma frase de Dilma em um discurso de janeiro de 2013 quando ela anunciou a redução da tarifa de energia: "Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais.”
É Presidente?
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário e professor universitário

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