sábado, 20 de dezembro de 2014

Sarney, a saga do Amapá



Olimpio Guarany

Em seu último discurso no Senado, na semana passada,  José Sarney (PMDB-AP) chegou a dizer que se arrependeu de ter sido candidato ao Senado após ter cumprido o mandato de Presidente da República. Para ele, quem chega a mais alta magistratura do país não deveria ser candidato a nada, como ocorre nos Estados Unidos, a maior democracia do ocidente.  Para o Amapá, todavia, foi um ganho extraordinário ter Sarney como seu representante no Congresso. Mas, por que Sarney veio ser candidato no Amapá, se sua terra é o Maranhão?

O Amapá não era uma região estranha para José Sarney. Nos começos do Brasil, o que é hoje o estado Amapá fazia parte da vasta província do Grão Pará e Maranhão, mais tarde separados Maranhão e Pará, até que em 1943 ao ser desmembrado do Pará, foi criado o território federal do Amapá, agora Estado. É uma só região geográfica. As mesmas etnias, os mesmos problemas, as mesmas esperanças. 

Naquele inicio de 1990, o então governador Nova da Costa e o prefeito de Macapá, Azevedo Costa se uniram para articular a vinda de Sarney para o Amapá. Também participaram do movimento outras lideranças do PMDB da época, entre eles: Abdala Houat, José Maria Barros, Iraçu Colares, Elfredo Távora e professor Bernardo. 

Ao chegar a Macapá, em maio de 1990, sem conhecer praticamente ninguém, o ex-presidente e sua mulher Marly, não saíram de casa.
No dia seguinte, logo pela manhã, dezenas de mulheres com crianças no colo gritavam na porta da casa “Queremos ver Sarney!” Eram mulheres beneficiárias do programa do leite e de outros programas sociais do governo federal do período em que Sarney foi presidente da República. Queriam apenas agradecer. 
Com aquela manifestação Sarney se sentiu abençoado. Animado começou a fazer caminhadas pela cidade e foi seguido por multidões. E assim deu o inicio a saga do Amapá.
A campanha foi uma festa e Sarney acabou eleito com 236.618 votos, proporcionalmente a maior votação para o Senado, do Brasil.

As ações de Sarney

Nos primeiros anos de 1990, o Amapá vivia uma grave crise de energia elétrica. Foi quando o então senador, usando seu prestigio, deu as primeiras soluções trazendo de Camaçari, na Bahia, as unidades geradoras termelétricas.
Vislumbrando o futuro do Amapá, Sarney iniciou as tratativas com então presidente Itamar Franco e depois com Fernando Henrique para trazer o linhão de Tucurui. Parecia um sonho, hoje realidade.

Com a chegada do linhão e a construção de mais três hidrelétricas, o Amapá passa de dependente para se tornar exportador de energia. Isso também muda o perfil da sua matriz energética, antes com predominância de termoelétricas.

As investidas de Sarney para dotar o Amapá de infra estrutura e condições para o seu desenvolvimento não pararam. Atuou de forma decisiva para a implantação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, o principal mecanismo para o desenvolvimento recente do Amapá. Criou também a Zona Franca Verde e a Zona de Processamento de Exportação, essas duas últimas, ainda para serem instaladas.
Na política, Sarney teve grande importância para a pacificação do estado que atravessou anos difíceis e tumultuados a partir de meados da década de 90 aos primeiros anos de 2.000 .

A dificuldade no relacionamento criada por governos contrários ao pensamento de Sarney em relação ao Amapá, impediram que muitas ações fossem desenvolvidas. Conciliador e atencioso, Sarney desconsiderou as diferenças ideológicas ou partidárias. A boa relação com seus congêneres da bancada federal permitiu canalizar grandes benefícios para o Amapá.
O alinhamento com o primeiro governo de Waldez Góes (PDT) facilitou o aproveitamento do prestigio do ex-presidente.

A saga de Sarney no Amapá só se completaria com outros grandes feitos, tais como a implantação da Universidade Federal, do hospital Sarah, a canalização de recursos para a BR 156, construção do terminal de containers no porto de Santana, que se tornará, em breve, um dos principais eixos de desenvolvimento do estado: a construção da ponte do Oiapoque ligando o Amapá a Guiana Francesa; a extensão da energia 24 horas para os municípios do norte do estado até Calçoene; a instalação das escolas técnicas em Macapá, Laranjal do Jari, Santana e Porto Grande, ações diretas para viabilização dos projetos de habitação que permitiram a milhares de famílias terem os seus lares, para citar alguns.

E assim foi a convivência de Sarney com o Amapá, uma relação acima de tudo, de amor pelo nosso povo.
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Olimpio Guarany é jornalista, publicitário, economista e professor universitário

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