segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Plantas medicinais da amazônia: Em defesa da 'cura natural'

Campanha nacional defende o reconhecimento dos ‘saberes’ tradicionais no tratamento de doença pelo Ministério da Saúde

    Camponesas, ribeirinhas e indígenas de oito municípios do Amazonas promovem encontros para trocar informações e experiências sobre o uso das plantas medicinais
    Camponesas, ribeirinhas e indígenas de oito municípios do Amazonas promovem encontros para trocar informações e experiências sobre o uso das plantas medicinais(Divulgação)
    Mulheres do interior do Amazonas aderiram a uma campanha nacional para que o conhecimento tradicional no tratamento de doenças seja reconhecido pelo Ministério da Saúde. As “enfermeiras da floresta” afirmam que verdadeiros milagres são operados por meio de xaropes, garrafadas e unguentos preparados com plantas da Amazônia para tratar os esquecidos pelo sistema de Saúde.
    O conhecimento sobre os poderes de cura dessas ervas,  cultivadas em quase todos os quintais no interior do Estado, é passado de geração em geração por meio das mulheres que vivem nas áreas rurais. É o caso da agente comunitária de Saúde, Ene Oliveira da Silva, 35.
    Ela recebeu da avó e da mãe, durante a criação, informações sobre como usar hortelãzinho, mastruz, cascas de jatobá, mel de abelha, semente de e até ovo galinha caipira para tratar males na garganta e outros sintomas provocados pela gripe.
    ‘Sara tudo’
    A babosa também é usada em casos de doenças no pulmão. Para todos os tipos de “doença de mulher” não há quem deixe de lançar mão do famoso “sara tudo”. Um chá das cascas de uma árvore conhecida com esse nome tem a fama de sarar infecções. “É muito bom para inflamação”, declarou.
    O Jucá, outra semente da Amazônia, também é alternativa de tratamento para sangramentos, cólicas e alterações no ciclo menstrual. Ene faz questão de passar esse conhecimento para as três filhas adolescentes. “Elas já sabem que erva usar e para que tipo de doença”, declarou a mãe.
    Alternativa segura
    A agente de saúde defende que o conhecimento tradicional seja aproveitado como forma de tratamento seguro. “O remédio natural não tem os efeitos colaterais que provocam o excesso de química dos remédios de farmácia”, disse.
    Ene defende ainda e alternativas de autonomia para as mulheres camponesas. “Seria sim uma forma dessas mulheres ganharem maior autonomia de suas vidas a partir de seus conhecimentos”, declarou.
    O movimento de mulheres camponeses defende que conhecimento tradicional não seja entregue de bandeja nas mãos da indústria farmacêutica e possa ser usado pelas conhecedoras originárias desses tipo de medicamentos.

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