sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Macapa 255 anos de história e querelas politicas



Olimpio Guarany

Sei que há aqueles que não gostam de misturar história com querelas politicas, mas como dissocia-las se boa parte da nossa história foi feita a partir de querelas politicas?  Então vamos pontuar umas e outras.
Era 1752 quando o governador do Grão Pará e Maranhão, Francisco Xavier Mendonça Furtado fez mais uma viagem a Macapá. Anteriormente havia aportado por aqui trazendo contingente de açoreanos e outras levas de pessoas procedentes de colonias além-mar de Portugal, para povoar o lugar.
Àquela época esse pedaço da provincia, incluido na proposta de ocupação e expansão do povoamento da Amazonia, politica desenvolvida pelo primeiro-ministro de Portugal, Marquês de Pombal,  sofria uma epidemia de cólera. O governador trouxe um médico e medicamentos de Belém, mas ao chegar teve que resolver um outro problema e usar de toda habilidade para mediar um conflito entre o comandante da guarnição do destacamento de Macapá, Manoel Pereira de Abreu e o chefe da igreja católica Padre Miguel Angelo de Morais. Os dois não se entendiam, e o recrudescimento do entrevero resultou numa decisão radical do militar que, além de não atender os pedidos dos sacerdotes,  suspendeu o fornecimento de alimentação.
Seis anos depois da fatidica visita,  era fevereiro de 1758, quando Mendonça Furtado, desembarcou em Macapá. Veio cumprir determinação do ministro Marquês de Pombal para transformar o povoado em Vila. 
Na manha do dia 4, aquela pequena comunidade que abrigava um timido destacamento militar, passou à categoria de vila e recebeu o nome de São José de Macapá, em homenagem a D. José, rei de Potugal. 
Em plena Cabanagem, diferente de boa parte do Pará que já havia aderido ao governo popular, houve grande reação das oligarquias locais, alinhadas com o Império. Sociólogos chegam a afirmar que essa resistencia só ocorreu porque aqui habitavam colonos trazidos das possessões portuguesas na Africa, portanto leais ao Estado conservador que se instalou no país com o advento da independência.
De lá pra cá, os registros da história se misturam as querelas politicas, mas isso é assunto para a segunda parte deste artigo que publicaremos no próximo domingo. 
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Olimpio Guarany é jornalista, economista, publicitário  e professor universitário

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