quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Preço do atraso


Olimpio Guarany

Essa semana a farinha chegou a ser vendida a R$ 7,00 o kilo. O espanto foi geral. Mas por que os preços subiram tanto? A resposta está numa lei básica da economia: a procura maior do que a oferta. Mas não é só isso. Há outros fatores determinantes para a crise de abastecimento da farinha. Faz muito tempo que o Amapá não consegue produzir farinha suficiente para atender sua demanda interna. Hoje, mais de 60% do que consumimos vem de outros estados, especialmente do Pará. Isso pode ser resultado de uma politica agricola inadequada ou ausência de politica agricola.
Não precisamos ir longe para constatarmos que ainda se utilizam formas rudimentares na produção de farinha. Acredite se quiser, em pleno séciulo 21, no momento em que o mundo acelera as soluções tecnologicas para quase todas as atividades produtivas, ainda fazemos farinha como nossos antepassados, como aqueles encontrados aqui à época do descobrimento.  Do cultivo da mandioca à finalização do produto, quase nenhuma inovação se verificou. É muito atraso. Mas, afinal, a politica é inadequada ou inexistente? Qualquer que seja o predicado vai dar no mesmo. Segundo o secretádio estadual de Desenvolvimento Rural, 94% do orçamento da secretaria são destinados para pagar o transporte dos pequenos agricultores para as feiras de terça e quinta na capital. E o pior é que esses agricultores tem renda muito baixa. Levantamento da SDR revela que a grande maioria deles não apura, liquido, o equivalente a um salário minimo. E, quais as variavéis determinantes para esse atraso? Por exemplo, a inacessibilidade  ao crédito que ocorre porque os agricultores sequer são donos de suas terras, logo não podem oferecer garantias ao financiador. O desconhecimento de técnicas modernas, por falta de assistência técnica. Resultado: baixa produtividade, inferior qualidade dos produtos, pouca rentabilidade. Imaginem se esse agricultores tivessem que pagar o transporte de para vender seus produtos na cidade? Não é necessário ser economista para responder que o resultado seria déficit, prejuizo na certa. 
Mas, o que fazer com os míseres 6% restantes do orçamento? Nada. Ou se repensa o orçamento e a gestão, e se adota uma politica agricola coerente ou, na ponta do processo, o consumidor vai pagar o preço do atraso.

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