quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CEA, a bomba


Olimpio Guarany

Alegando estarem insatisfeitos com os dados que lhes chegaram às mãos, deputados estaduais foram a Brasilia tentar saber mais sobre a real situação da CEA. Para eles não deu para engolir o projeto enviado pelo Executivo que autoriza o Governo do Estado a fazer empréstimo de R$ 1 bilhão e 400 milhões junto ao BNDES para sanar as dividas da Companhia. É muito dinheiro. O Amapá é um estado pequeno, carente, cheio de problemas, e ainda ter que se endividar dessa forma é um risco do tamanho do mundo.
Está parecendo fácil demais resolver o problema desse jeito. 
Entendo diferente. É preciso se aprofundar, discutir mais, trazer a sociedade civil para o debate. Melhor seria se essa tão propalada divida de mais de R$ 1 bilhão fosse auditada por uma empresa respeitada. É preciso se saber a fundo se esses valores estão certos, se as taxas aplicadas estão corretas e se são justas.
Mesmo que ao final seja apurado todo esse valor, o Amapá não tem como suportar tamanho endividamento. Um Estado onde a rede de saude, quase que totalmente sucateada não funciona; um Estado que não atende sequer as necessidades mais básicas como abastecimento de água e esgoto; onde se verifica deficiência em quase todos os setores, não tem estrutura para suportar uma divida dessas.
É necessário peneirar mais. Por exemplo, responsabilizar aqueles que atuaram de forma irresponsável na gestão da Companhia. É certo que isso não trará de volta os recursos que por acaso tenham sido mal aplicados.
O que me causa espécie é que não vi nenhuma articulação para se encontrar uma solução politica para o problema. Quantas outras situações mais graves se verificou neste país nos últimos 20 anos e sempre se encontrou uma saida politica?
Na época do governo do Fernando Henrique, quando ocorreu a quebradeira nos bancos, logo se criou o Proer, um plano de recuperação de arrancou bilhões de reais do tesouro. No governo Lula se perdoou a divida de paises até da Africa, se gastou os tubos com socorro  ao Haiti, e abriu mão da receita de outros bilhões de reais através de renúncia fiscal quando a crise economica mundial bateu na nossa porta. Agora no Governo Dilma não é diferente. Só neste ano o Brasil renunciou a receita de R$ 45 bilhões para incentivar a industria e combater os efeitos da crise. Tudo isso foi resultado de boas e bem feitas articulações politicas.
Então, por que não se movimentar e propor a entrega da CEA ao Governo Federal sem que isso onere ainda mais o povo do Amapá? Com a palavra os politicos, do governador, cujo partido faz parte da base do Governo Dilma, até a bancada federal. Não deixem que essa bomba exploda na cabeça do nosso povo.

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