segunda-feira, 12 de julho de 2010

Entrevista sobre DIABETES

O Programa Olimpio Guarany traz mais uma novidade para você. A partir de agora, disponibilizaremos no site a transcrição de algumas entrevistas e reportagens veiculadas no programa.
Quem estreia no site é o Médico Endocrinologista Wild Cavalcante, representante amapaense da Sociedade Brasileira de Diabetes. Ele conversou conosco sobre o diabetes no programa que foi ao ar no dia 10/07/10.


Programa Olimpio Guarany: O que é o diabetes?
Doutor Wild Cavalcante: O diabetes faz parte de um grupo de doenças metabólicas em que há um distúrbio, um erro no metabolismo no corpo referente à glicose, ao açúcar no sangue. O indivíduo deixa de ter insulina – hormônio que queima essa glicose, que diminui esse açúcar do sangue. Então o indivíduo pode ter um erro de fabricação ou um erro na ação dessa insulina. Aí vai existir uma doença chamada diabetes. Desse erro pode ter o diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2 – que a gente ouve falar rotineiramente no consultório.

POG: Como pode-se identificar quando é diabetes tipo 1 ou tipo 2?
DWC: O que é mais comum hoje e que a gente tem muito no Brasil é o tipo 2, que está relacionado com o ganho de peso, à obesidade, à pressão alta, com o colesterol alto. Esse é o diabético que era conhecido antigamente como o diabético não insulino-dependente (esse termo não se usa mais, agora é o tipo 2). Nesse caso o indivíduo começa um quadro da doença em que muitas vezes ele não sente nada, quando ele vai sentir, geralmente cinco anos depois da doença que não foi diagnosticada, quando vai procurar o médico ou o pronto-socorro ele está com alguma complicação, ou com uma doença renal ou uma doença na retina do olho.
Já o diabético tipo 1 é o contrário, é aquele que era conhecido antigamente como o insulino-dependente, que acomete mais as crianças e jovens.

POG: E a doença é genética?
DWC: Antigamente se dizia que era genético, na realidade os dois tipos têm fatores genéticos, mas o tipo 1 é uma forma que já abre um quadro com sintomas mais agressivos. A pessoa já começa a perder peso muito acentuado, tem muita sede, urina muito. E também, por muitas vezes, é aquele indivíduo que não sabia que tinha a doença e vai procurar um hospital num estado de coma, com desidratação, e naquele momento é diagnosticado o diabetes, onde a glicemia está muito alta.

POG: O diabetes tem cura?
DWC: Cura é um nome que a gente ainda não pode usar hoje, há estudos que estão propondo a cura – estudos com diabéticos tipo 1, com células-tronco. Tem tratamento e tem controle.

POG: O que as pessoas devem fazer para identificar se elas têm a doença ou não? Existe uma idade limite em que a pessoa deve fazer o exame?
DWC: Por ser uma doença silenciosa, você não vai esperar aparecer os sintomas para começar a tratar. Você vai ter que buscar, é o chamado rastreamento da doença. E essa busca é feita nos postos de saúde, na atenção básica, no PSF. A equipe de saúde, não só o médico, – enfermeira, psicólogo, técnico de enfermagem e médico – tem que saber identificar o grupo de risco, quem é esse paciente que tem a chance de ser diabético. Como principal fator de risco nós temos a obesidade, aí temos um indivíduo que é hipertenso, sedentário, maior de 45 anos. Então você junta esses fatores de risco, eles já têm uma indicação de fazer uma glicemia de jejum que é para tentar identificar o diabetes.

POG: Por exemplo, um adolescente, como os pais podem identificar ou procurar o serviço de saúde para fazer os exames para tentar detectar o diabetes?
DWC: Existe o tipo 1, que é comum em criança e adolescente, ele já abre o quadro com esses sintomas e os familiares já vão identificar, porque há uma perda de peso, tem um excesso de sede, a criança urina muito à noite.

POG: E as crianças obesas?
DWC: Aí entra num outro caso que estamos começando a ver depois da década de 90, do ano 2000 para cá, que são as crianças que estão ficando obesas. Antigamente não se dava diagnóstico de diabetes tipo 2 em criança. Hoje não, eu tenho aqui em Macapá pacientes com 11, 13 anos que já têm diabetes tipo 2, por conta da obesidade.
Na década de 70, a gente pega o perfil da população, você não tinha o fast-food, o excesso de refrigerantes, tinha aquela comida mais saudável e a população ainda brincava no seu quintal, gastava energia, as crianças brincavam. Hoje não, as crianças têm acesso à comida fácil, além disso, deixaram de ter atividade rotineira de uma criança, então ficaram obesas. E com a obesidade, que é o fator de risco principal para o diabetes, aparece essa nova doença no grupo de crianças e jovens.

POG: O que as pessoas devem fazer para prevenir?
DWC: Controlar o peso, estimulando a atividade física, com isso você não está gastando dinheiro. Para cada paciente tratado o valor é seis vezes maior do que o gasto para a prevenção.

POG: Para finalizar, qual o recado você deixa para as pessoas diabéticas?
DWC: O diabetes não é o fim do mundo, ele deve ser encarado como qualquer outra doença, que deve ser superada, e o sucesso vai depender principalmente do paciente querer. E também de uma equipe preparada, multiprofissional, para orientar esse paciente desde a entrada, do fio de cabelo ao pé, ele tem que ser visto como um todo, a parte clínica, a parte psicológica, social – avaliar se, quando a gente passa uma medicação, esse paciente tem condições de comprá-la ou se tem essa medicação no posto de saúde, você tem que dar opção para ele. E a melhor opção, por mais que eu não tenha o medicamento, ainda é a dieta e a atividade física e tem que ser todos os dias, não é pensar que você melhorou que pode parar, isso é para o resto da vida.

Transcrição: Aline Koller

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