segunda-feira, 12 de julho de 2010

Diabéticos do Amapá

Uma doença que provoca outras doenças e atinge uma pessoa a cada cinco segundos, o diabetes se espalha pelo mundo de forma assustadora. Em Macapá estima-se que existam 15 mil diabéticos, mas apenas 3 mil estão cadastrados. Muita gente tem essa doença e nem imagina.

A pessoa diabética tem problemas com a produção da insulina, hormônio responsável pela redução da taxa de glicose no sangue. Sem a ação da insulina, o organismo não consegue processar o açúcar dos alimentos. Esse açúcar fica no sangue e causa muitos problemas.

As complicações causadas pelo diabetes são responsáveis por 9% de todas as mortes registradas na América Latina e no Caribe – de acordo com estimativas da Fundação Mundial de Diabetes e da Federação Internacional de Diabetes. Cerca de 330 mil pessoas irão morrer em 2010 por causa da doença.

Mas é possível ter uma vida longa e saudável convivendo com a doença, se ela for descoberta e controlada a tempo. Além de cuidar na alimentação, é muito importante praticar exercícios físicos.

No Amapá existe há mais de três anos um grupo de pesquisa de diabetes mellitus na Universidade Federal do Amapá. Desse grupo surgiu a associação de diabéticos que se reúne na sede dos magistrados, em Macapá. Nas terças e quintas-feiras a associação oferece aulas de hidroginástica a diabéticos e também a hipertensos. E nas quintas, depois da piscina, o grupo dos diabéticos se encontra para trocar experiências e aprender a conviver melhor com a doença. “A associação é um ponto de apoio às nossas lutas. O objetivo é somar com o grupo e com o estado, na busca de direitos”, afirma o presidente da associação Hélio Ferreira.

A associação tem buscado apoio para conseguir um local próprio para as atividades. Cerca de 80 pessoas fazem parte da associação e algumas vezes há fila de espera, já que o número de profissionais necessários para atuar neste trabalho voluntário não é suficiente. Assim como na associação, os diabéticos amapaenses enfrentam uma série de dificuldades no dia a dia.

“As dificuldades são muitas. Entre elas o próprio medicamento. Como é uma doença que detona várias outras doenças, precisamos de vários exames e especialistas. O que temos é o serviço básico que a lei federal exige, isso quando tem. Já temos relatos de um grupo que utiliza insulina, volta e meia não tem ou não tem seringa ou agulha. O nosso grupo atende a um grupo reduzido, e encontramos dificuldades de encontrar alimentos. E no interior é bem pior”, declara Hélio Ferreira.

Problema maior ainda enfrenta João Dias, que está aprendendo a viver sem a perna esquerda, amputada em fevereiro deste ano em decorrência do diabetes. Para fazer a fisioterapia, duas vezes por semana, ele precisa vencer muitas barreiras da cidade de Santana, onde mora, até Macapá. “Não tem o coletivo adaptado para cadeirante; eu subo degrau por degrau no ônibus. Muitas vezes se as pessoas não me segurarem eu caio. As calçadas não são adaptadas, são elevadas. São inúmeras as dificuldades”, lamenta João.

Ele tem enfrentado os problemas com persistência e esperança. Cinco meses após amputar sua perna, prepara-se agora para receber uma prótese. Afinal, ele mesmo finaliza “não podemos nos curvar diante desse probleminha. Não vou poder tirar açaí, mas em termos de locomoção é muito melhor. A vida continua. O bom de tudo é que Deus me tirou a perna, mas me poupou a vida.”


Reportagem exibida no programa Olimpio Guarany do dia 10.07.10.
Repórter: Aline Koller
Câmeras: Sérgio Silva e Francinildo Costa
Editor: Paulo Band

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